Fundo eleitoral é necessário para a democracia, diz Maia

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São Paulo – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, voltou a defender o fundo eleitoral para as campanhas e disse que não há democracia sem financiamento das eleições. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta terça-feira (17) a viabilização dos recursos para as campanhas eleitorais municipais em 2020, mas
retirou diversos pontos polêmicos do texto encaminhado pela Câmara. As informações são da Agência Câmara.

Câmara dos Deputados aprova reforma após segundo turno de votação. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

A proposta aprovada pelos deputados há 15 dias (PL 11021/18) previa
exceções ao limite de gastos de campanhas; estabelecia itens nos quais podem ser usados recursos do Fundo Partidário; definia critérios para análise de inelegibilidade; e autorizava o retorno da propaganda partidária semestral.

Maia ressaltou que as mudanças do texto no Senado serão avaliadas pelos
deputados. Segundo ele, a Câmara já havia mantido no texto o fim do percentual fixo de 30% das emendas de bancada como referência para a destinação orçamentária ao fundo. Mais cedo, o presidente disse ser contrário ao aumento do valor do fundo.

“O orçamento é que vai avaliar qual o valor correto, qual a capacidade
que o Estado tem de financiar a eleição, mas sem financiamento de campanha não teremos uma democracia. É muito perigoso aqueles que vêm, de forma precipitada, criticar a decisão de colocar valor no fundo, de se debater um valor maior para a eleição. Vamos tomar cuidado, porque eleição tem custo ou privado ou público ou escondido – como foi no passado muitas vezes”,disse Maia.

Um dos temas polêmicos rejeitados pelo Senado é o trecho que alguns
especialistas entendiam que abriria brecha para que parte dos recursos do fundo fosse usada para pagar advogados em processos relacionados aos partidos ou aos candidatos e que essas despesas não seriam contabilizadas para o teto de gastos da campanha.

Maia defendeu um texto mais claro para evitar polêmicas. “Isso já tem
jurisprudência no TSE [Tribunal Superior Eleitoral], uma parte do serviço dos advogados já é considerado fora do teto, e não pode usar o fundo eleitoral. Já é assim, a jurisprudência é essa, mas ficou dúvida se pode pagar ação criminal. Esclarece isso e a gente vota, não tem problema”, declarou.

“Na questão dos advogados, eu discordo [do entendimento dos especialistas], mas respeito. Muda-se o texto, dá mais transparência ao texto.Agora, falar que o projeto como um todo é ruim, eu discordo”, afirmou o presidente.